
Não,
eu não podia me enganar assim
com uma criança qualquer
que veio ao mundo bem depois de mim
Eu não reclamo o que ela fez
só condeno a mim mesmo
por ter me enganado outra vez..
(Ingenuidade - Caetano Veloso)
Minha ingenuidade, assim como a da maioria das pessoas, creio eu, é advinda do fato de sempre esperar o melhor, ou no mínimo o 'menos-pior' das pessoas. Desde crianças a vida já nos oferece lições gratuitas sobre a imensa capacidade humana de vestir uma máscara e sair nas ruas apertando a mão de desconhecidos como um puro exercício de sua inevitável hipocrisia, e com o passar do tempo essa capacidade de detectar esse tipo de comportamento aumenta, mas paradoxalmente, com a idade também adquirimos uma certa dose de bom senso que desejemos ou não sempre aparece em momentos inoportunos para nos impedir de pré-julgar o próximo como um cretino de duas caras.
Outra lição que a vida nos ensina desde cedo é o ato de não falar sem pensar, ou simplesmente pensar sem falar, mas outra vez a querida ingenuidade aparece para arrancar com suas próprias garras nossa língua de dentro da boca (ou levar nossos dedos ao teclado numa conversa de msn); Enfim, o fato é que hoje mais do que nunca vivemos em uma sociedade em que não vale mais a pena desabafar com o próximo, pois o simples sentimento de complacência, ou até mesmo de respeito ao próximo implodiram e deram lugar ao tipo mais perigoso de falsidade: o ato de utilizar-se dos sentimentos e segredos do próximo como a "melancia" a ser pendurada no próprio pescoço, ou exemplificadamente o velho ato de perder o amigo mas não perder a piada. Basicamente vivemos em um mundo repleto de um bando de fofoqueiros oportunistas que não pensarão duas vezes antes de contar o segredinho sujo de alguém para descontrair o ambiente e tornar-se o alvo das atenções, afinal, esse sempre foi e sempre será um dos grandes prazeres do ser humano: ser uma caixinha de presentes detentora de todos aqueles segredos que agraciam a grande curiosidade sádica que nos é nata, prestes a ser aberta.
Concordo com vc, Caroline.
ResponderExcluirPrincipalmente quando diz que não vale mais a pena desabafar com o próximo.
Isso se reflete aqui. P q desabafar num blog?
Hoje é tanto individualismo e falta de sentimento que nem compensa conversar...
Mas ainda tenho esperança!
Pois me preocupo com isso. A gente escreve nossa história à medida que deixamos marcas na memória dos outros. Mas como deixar marcas nesse mundo individualista.
E será que conseguiremos escrever pelo menos uma frasezinha no grande livro da história do mundo? (preocupação da Hannah Arendt, e acho isso lindo!)
Viajei aqui, eu sei...
Mas é isso...
Seus textos estão incríveis! Bjs