sábado, 6 de novembro de 2010

o fim.

ela caminhava pela calçada após mais um dia de trabalho. não queria encontrá-lo, mas sabia que acabaria acontecendo. à tarde havia recebido uma ligação dele, querendo encontrá-la após o expediente. caminhou pelo centro da cidade até se aproximar das imediações do terminal de ônibus. ali o encontrou. não se viam há uma semana. ela tão pouco se importava, pois queria o fim. ele não havia entrado em contato. ela sentia raiva. então ele veio aflito em sua direção.

- por que você sumiu assim?
- você quis assim.

uma semana antes ele havia ligado dizendo que não estava bem e precisava ir ao hospital. ela estava no cinema, com amigos. riu sarcasticamente, pois sabia que era mentira e que ele estava a testando, com o objetivo de que ela fosse até ele. orgulhosa e talvez esperta, obviamente ela não foi.

- eu estava passando mal, te liguei aquele dia, você não apareceu, sequer quis saber como eu estava, e eu sozinho! só havia tomado um suco e não tinha me alimentado, vomitei, estava passando mal.
- não, você não estava. eu sei que não estava. páre de mentir. fui atrás de você preocupada, antes disso, você simplesmente não me respondia e mal olhava no meu rosto. agora não se queixe.
- mas aquele dia eu estava nervoso, não via como a gente conversar.
-
não era motivo para me tratar daquela forma.

e ele insistia, querendo consertar os próprios erros, a fim de convencê-la a voltar atrás e perdoá-lo. ela permanecia irredutível, dura nas palavras, apática.

- não quero mais saber. estou cansada das suas desculpas. estou cansada de passar a mão na sua cabeça e você vir com suas mentiras depois, querendo que eu sinta pena. não tenho mais pena de você, nem piedade.
- eu não quero que você sinta pena. apenas quero te pedir desculpas, para que a gente volte ao normal, amor.
- e não me chame de amor! para mim isso não existe mais, se é que existiu. acho que foi um grande engano.

e ele, com uma rosa, tenta entregá-la. era Dia Internacional da Mulher.

- trouxe uma rosa para você, e quero te dar os parabéns por ser essa mulher maravilhosa, que me ajudou tanto, me acolheu em sua casa. eu sei e reconheço como você me ajudou, me acordava cedo para ir procurar emprego, me indicou vagas, me ajudou muito. eu reconheço isso e agradeço muito.
- não venha me agradecer agora. já fiz demais por você. hoje vejo que você não passa de um garoto folgado, além de ser um porco, mal cuida de si mesmo, não tem hábitos de higiene convincentes, me fez passar por situações constrangedoras. chega! estou cansada de suas lições de moral, você jamais as aplica em sua vida, você não é meu pai para querer me dar sermões, e seus argumentos de coitado também não me convencem mais.
- pegue a rosa, comprei para você, mal tinha dinheiro e quis comprar.

ela pega a rosa, de forma grosseira.

- não quero mais nada com você.
- mas, mas...
- não quero, entendeu? estou sendo clara? chega, acabou, vá embora, saia dessa cidade porque você não a merece, muito menos me merece!

nesse momento algumas lágrimas invadem seus olhos, mas ele não chora. e ela continua, cada vez mais ríspida.

- saia da minha vida. não quero vê-lo mais. vá embora.
- se você então não quer mais nada mesmo comigo, me prove. você me provaria se jogasse agora mesmo essa rosa no esgoto.
- não seja por isso!

e ela joga a rosa no esgoto. era uma reação da qual ele não esperava. tão áspera, tão firme, tão rude, ele podia sentir o ódio em seus olhos e o amargo de suas palavras saindo de sua boca.

- eu disse isso como um exemplo! não era para você jogar a rosa!
- você não disse que queria uma prova? então, dei-lhe a prova. agora saia daqui e me deixe ir embora. não quero mais, não dá mais. chega.
- tudo bem. só quero que saiba que a partir de agora essa é a sua decisão e não tem volta, eu nunca mais vou voltar à sua vida, e quando eu estiver bem, não quero ter nenhuma lembrança sua!
- essa é mesmo a intenção. adeus.

dali adiante suas vidas nunca mais se cruzaram. ela nunca foi tão ríspida com alguém, e jogar a rosa no esgoto a cortou o coração. mas sabia que precisava ser firme, pois para algumas pessoas só os grandes choques as fazem compreender como é a vida, e repensar suas atitudes.

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