quinta-feira, 28 de outubro de 2010

22:40

postado por Luana Melo.

Ela sabia que o momento exato em que entrara naquela sala, sua vida jamais voltaria a ser a mesma. Não que ela necessariamente precisasse de um porquê para estar ali. Mas ela não teria em momento algum entravessado em tal porta se não houvesse algo para direcioná-la. Algum argumento ela teria, com certeza. Ana não era acostumada a errar tanto assim mesmo que isso contradisesse tudo o que é ser de fato, um ser humano.

No início era exatamente tudo aquilo o que planejava. Tinha mania em organizar as coisas, organizar os horários, tudo era conometrado. Tinha as suas manias um tanto quanto estranhas mas adorava tudo aquilo. Era o seu maior orgulho, o seu maior mérito ser o contrário de tudo aquilo o que era considerado normal. Não que ela forçasse a ser isso, ela simplesmente era. E o fato de ser já diz bastante, não?

Era simples e sutil. A rotina cronometrada e toda a sua mania de organização por muitas vezes afetara suas relações. Não apenas as inter-pessoais, digo também as relações internas. Não há quem consiga organizar as idéias na cabeça. E ela queria isso por demasia. E sabia que não conseguiria. E senti raiva, sentia-se em um completo fora de equilibro que, mais uma vez, contradizia o seu querer.

Voltando à sala. Paredes brancas, pinturas aleatórias, pessoas apáticas. Onde estaria, onde estaria a o tal motivo? Sim, porque há um. Ela não gostava de se perder por aí. Gostava de um rumo, de uma certa, de uma flecha e um alvo. Mas, naquele instante, tudo, exatamente tudo não tinha um motivo. Um alvo. Nem ao menos uma flecha para lançar. Sem a flecha, o alvo não existe. E sem o alvo, a flecha não possui um alvo. E é um eterno ciclo de dependência.

O motivo não aparecera. Pessoas saíam, voltavam, entravam, bebiam água e sentavam-se nos mesmo lugares. Cadeiras sujas, objetos espalhados pela a sala, um teto de vidro, um cachorro ao lado. Tudo, exatamente tudo era uma anarquia completa. Não havia um motivo para aquilo. Não havia. Mas com certeza o motivo por estar ali, existira. E existe. E existiu, e poderá vir a existir.

Se você ao menos acreditar.


E enfim, acordara. Era um sonho. E tudo deixara de existir.

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