
Tudo ia bem, ou pelo menos era o que ela pensava. Seus sentimentos bem organizados, como pastas em um arquivo de escritório; um tanto insatisfeita como de praxe, mas conformada com a inexistente possibilidade de mudar sua realidade.
Eis que surge, de repente, como um trovão em dia chuvoso: cabelos longos (não muito), escuros e grossos, escondendo um pouco de seu rosto; olhar fixo em pontos inexistentes do chão; passos duros e firmes, embora demonstrassem a visível insegurança de quem pisa em território desconhecido; lábios que se moviam de modo a sussurrar algo para si mesmo; mochila nas costas, mãos nas alças. Por alguma razão desconhecida tirar aquela figura de seu campo de visão não era uma possibilidade para ela naquele momento, pois ainda que quisesse, sabia que não conseguiria. Deu uma rápida olhada para a aliança de prata em sua mão direita, e ainda perdida sacudiu a cabeça de modo a retornar de um transe. Quando poderia ela imaginar que aqueles segundos iriam mudar tudo o que ela já tinha como certo?
Como sempre, nada pretensioso. Talvez um desabafo; Talvez algo fictício; Talvez um sonho...
"Em muitas subjetividades podem-se encontrar milhares de verdades não ditas" (Caroline Rosemburg)
Adoro a sua maneira de brincar com as palavras, bb.
ResponderExcluirLove ya.