sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Desde a busca ao conceito sobre "pragmatismo" até a questão: e quando eu começar a lidar com as pessoas?

Postado por Luana Melo

"E quando eu precisar lidar com as pessoas?"
Essa é a pergunta que começou a martelar na cabeça desde o início da semana, mas que só agora eu realmente tive a vontade em escrever ou então pensar algo mais afundo sobre.

Hoje o meu dia começou às 11 horas da manhã. Não que eu tenha acordado neste horário... Bem, de fato, acordei, mas estava acesa desde às 6 horas da manhã (horário que acordo para ir ao colégio) e fiquei na cama de pulando de sonho em sonho até acordar com o barulho do meu ventilador indo ao chão e quase explodindo depois de ter me ventilado a noite inteira. Não fui à aula pela manhã pois estou com uma infecçãozinha chata na garganta que começara na noite passada. Fiquei meio febril mas, ok, eu tinha alguns afazeres e logo depois fui para a escola com o intuito de apenas fazer a prova de história e ir embora, pois cancelaram as nossas duas últimas maravilhosas aulas: sociologia e filosofia. Como de costume, levei o computador para poder conectar-me a internet durante um intervalo de tempo e outro e evitar ao máximo qualquer relação com as pessoas de lá. Eu geralmente não me dou muito bem com elas e qualquer tipo de assunto que puxam comigo eu acabo me frustrando e achando tudo muito chato. Poucas são as pessoas como a própria Carol que me fazem uma boa companhia. Enfim, depois da minha avaliação de história, sentei-me no pátio da escola e comecei a navegar pela internet. Até que em um tempo tudo ficara muito sem graça e vi a professora de filosofia indo à sala do segundo ano que estava ao meu lado, para dar a aula que infelizmente nossa sala não teria. Pois bem, depois do início pedi para que pudesse assistir também e fiquei lá até o momento de ir embora.

Finalizando a aula, saí na rua e durante essa caminhada inteira observava todas as pessoas e suas atitudes ao meu redor. Tive uma tarde muito produtiva e minha cabeça estava em êxtase de tantos pensamentos aleatórios relacionados a filosofia. Olhava para elas e pensava “o que será que estão pensando?” “por que estão com tanta pressa, e por que não se importam em fazer todas as coisas de uma forma mais calma e sem toda essa frustração?” Elas são todas apáticas, nervosas, apressadas, preocupadas. Os homens e seus insaciáveis desejos sexuais que não podem ver uma garota na rua e começam com aqueles olhares devoradores. Sinto-me ruim quando passo por uma sensação dessas, é algo estressante. Esses pensamentos deixaram minha cabeça ao ponto de explodir e o sol na cara piorava ainda mais o meu estado febril que até agora está me irritando. Nessa tarde eu saí do colégio carregando um livro a mais em minhas mãos. Chama-se Pragmatismo e Ciências Sociais (assunto iniciado na aula que assisti do segundo ano) de Márcio Pizzaro Noronha. Iniciei a introdução em uma lanchonete e enquanto esperava pelo o meu pedido, lia alguns fragmentos. Entre fragmento e outro eu era interrompida pela a garçonete que tinha uma expressão de frustração e de toda aquela vontade em querer me agradar com a velha pergunta “Você deseja mais alguma coisa?”. Juro que em um momento quase deixei a lanchonete, pois a vi tão frustrada e tão preocupada que não queria dar um certo “trabalho” para alguém. Mas permaneci sentada esperando o meu lanche chegar, mesmo tendo a vontade em dizer a ela “deixe que pego o meu lanche”.

Voltando ao livro, já ouvi falar muito sobre filósofos pragmáticos, mas nunca parei para analisar o real sentido da palavra. O filósofo que tivemos como referência na aula fora Richard Rorty onde recebemos parte de um ensaio escrito pelo o próprio chamado “Pragmatismo e romanticismo” escrito por ele logo no seu último ano de vida. Fora citados vários assuntos e nomes que eu tinha lido uma vez naquele livro em que postei aqui sobre “Aprender a viver” de Luc Ferry e em vários momentos da aula tive a vontade de ler fragmentos dele e fazer uma relação com a que a professora dizia. Mas, estava em um “ambiente” desconhecido, e todas as pessoas ali ao redor (algumas tomando refrigerante e com fones de ouvidos) pouco se importavam com o que estava sendo apresentado. Então resolvi me conter. Coisa que raramente consigo. A introdução do livro é bem bacana, gostei da atitude dele em dizer que pouco se importa se o acharem liberalista demais ou não. Gosto de escritores assim: que não prendem-se a padrão algum de moral e escrevem aquilo que, como aquela expressão diz, “dá na telha”. Mas esse é só o inicio, o meu intuito mesmo é saber o real significado da palavra “pragmatismo”.

Deixando de lado um pouco este assunto e falando sobre o que escrevi logo no inicio, e o que está explicito no título, durante toda essa semana eu parei muito para observar tudo ao meu redor. Isso é algo que eu já faço bastante. Por muitas vezes estava no meio de um grupo de pessoas e acabei deparando-me com os olhos fixos em alguém ou a algo e só dava-me conta no momento em que alguém me cutucasse e perguntasse o que eu estava olhando. Isso é engraçado e me rende boas gargalhadas. Mas o fato é que, especificamente essa semana eu pude analisar mais as pessoas da cidade onde moro. E tudo isso devo ao espaço de trabalho da minha mãe onde se encontra um aglomerado de pessoas diferentes. São típicos os grupos de pessoas que lá aparecem: a avó e o neto no colo acompanhado da mãe e do marido. A avó sempre com a expressão de desgaste por carregar a criança e palpitando a todo momento nas escolhas de compra da filha e de seu respectivo esposo. Falam demais, pensam demais, esquecem dos bons modos e exigem o que querem.
Isso me irritara muito e me fizera pensar se eu conseguiria ou não lidar com as divergências existentes nas pessoas. É um trabalho difícil, é algo que estou aprendendo diariamente, e fico me perguntando se saberei não me frustrar tanto quando eu precisar meter a minha cara no mundo e deixar para trás a minha bolha particular: meu mundo, as minhas vontades, a minha casa, o meu quarto, os lugares onde guardo todos os meus pensamentos e vontades. Onde deixo os explodir a hora que querem o momento que precisam. São poucas as relações interpessoais que tenho, e quase todas são destinadas a minha família. Então qualquer tipo de relação fora deste ambiente familiar, acaba me rendendo muita frustração e muitas dúvidas. Vejo que coisas que são relevantes a mim não são tão relevantes a eles, essas pessoas que me rodam, e sei também que tampouco fará diferença o que penso ou o que deixo de pensar. Pois cada um, cada indivíduo tem o seu ‘mundo malvado’ assim como diz Márcio na introdução do livro: “para que o mundo imaginado exista, é necessário que os outros mundos desapareçam.

Pois bem. Acho que o que preciso agora é um bom remédio e um pouco de descanso depois de pensar tanto uma tarde inteira.

Texto cheio de buracos e assuntos diferentes. Ehm. E é exatamente assim, não sei exatamente desde quando, que a minha mente está. Mas, confesso que adoro toda essa minha confusão como já dito tantas vezes por aqui.

4 comentários:

  1. Esse tabu de lidar com as pessoas sempre me assustou. Tenho uma dificuldade imensa de enxergar certas coisas e não poder ir lá e dar um soco na pessoa em questão, então enfim, até hoje meu refúgio tem sido evitar ao máximo as pessoas com quem não me identifico, mas vai chegar o momento, e na verdade ele ja está batendo à porta, em que eu não terei mais como fazer isso, e bom, isso me apavora.

    xoxo love ya

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  2. O mundo é muito mais cruel, ou melhor, sistemático do que parece. Todos nós temos de construir um desses de acordo com nossas necessidades. Entretanto, será necessário invadir outros costumes uma hora ou outra.

    Quando essa hora chegar, é melhor respirar fundo para não exercitar o conhecido pré-conceito que habita em nossas mentes. Assim sendo, teremos misturas exóticas e no final um ajuda o outro ou acabam se destruindo, embora o prejuízo seja maior para quem tem mais sensibilidade. Quando falo de sensibilidade, estou me referindo à percepção que temos diante dos paradigmas da sociedade. O jeito é encarar o mundo da formaclichê que ele merece: Com positividade e vontade de elevar seu nível de vida, seja espiritualmente ou financeiramente.

    Assim como você, também digo coisas sem nexo, mas que podem fazer muito sentido se tentarmos entrar um pouco na mente de quem escreve. Eu faço isso contigo e posso dizer que te entendo pelo menos um pouco.

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  3. Às vezes também acontece comigo, isso de ficar observando as pessoas e querer saber o que estão pensando. E indo mais além, eu acabo querendo saber se elas também querem saber o que eu tô pensando, mas acho que não são todas pessoas que têm esse interesse.

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  4. Me sinto completamente envolvida nesse post.
    O que queria te dizer é que conviver com as pessoas exige um tantão de paciência.
    E reiterando um dos comentários acima que diz "não exercitar o conhecido pré-conceito", é o q quero dizer qdo te chamo de nazista. Hehehe
    Cuidado pra n se colocar em um pedestal de superioridade intelectual e acabar ignorando a beleza que a simplicidade pode trazer. Mesmo os mais babacas possuem algo de bonito.
    Mas vcs tem sensibilidade suficiente para perceberem isso!
    Mais uma vez, parabéns pelo texto e por terem ido à aula de filosofia! hehehe

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