
Eutanásia: o nome que pode dizer tudo para alguns e nada para outros é hoje a minha pauta de debate.
Vi ainda ontem na televisão uma propaganda que expõe opiniões religiosas sobre diversos temas, e o tema da vez era a eutanásia. Um homem sobre o qual não me lembro a qual doutrina religiosa pertencia condenava com unhas e dentes essa prática, utilizando como argumento principal o seguinte: Deus condena qualquer ato que possa intervir no direito de viver de um ser humano; só Ele pode escolher o momento certo para que seus filhos descansem, e qualquer homem que possa vir a interferir nisso estará cometendo assassinato.
Não consegui conter uma risada boba de deboche ao escutar isso. Não condenei os princípios cristãos do homem, pelo contrário, também sou cristã, e tenho muita fé nos caminhos por Ele traçados, mas ainda assim não pude deixar de encontrar uma contradição notória nos dizeres desse indivíduo. A partir do momento que os cristãos pregam que o homem não deve intervir no direito à vida e à morte que nos são natos, fica implícito também que isso significa que nenhum procedimento médico que vise o prolongamento da vida deve ser realizado, porque isso seria uma interferência no momento que Ele designou para a o termino dela, sendo assim, se alguém estiver à beira da morte não devemos prestar-lhe nenhum socorro, afinal, esse alguém está morrendo porque Ele quis assim, e não é nosso direito intervir.
Não estou dizendo que a fala daquele homem fora dotada de qualquer hipocrisia, e sim estou tentando mostrar que por muitas vezes a compreensão humana acaba sendo limitada para o que a religião prega. Eu não sou uma perita em teologia, mas o pouco que sei sobre esse tema polêmico é de que Deus nos ama acima de qualquer coisa e está sempre pronto para nos dar o seu perdão, portanto, a meu ver, sugerir que Deus possa vir a desejar a morte de um de seus filhos, ou de que Ele seja capaz de castigá-los por seus atos vis, vai contra todo e qualquer princípio sobre Sua imensa bondade já pregado até hoje.
O fato é que assim como a vida é considerada um presente, a escolha de aceitá-lo assim como a de livrar-se dele a qualquer momento não é nada além de um direito que acompanha o nosso livre arbítrio, e deve ser respeitado acima de qualquer princípio ético pregado pelo homem. Que fique bem claro que o homem é portador desse livre arbítrio enquanto for responsável por qualquer ato que influencie diretamente o controle de sua vida, sendo assim a partir do momento em que sua vida está limitada ao funcionamento de aparelhos, o controle sobre a mesma já não está mais nas mãos de seu portador, portando o direito de determinar o seu fim também já não lhe é devido, devendo estar à deriva dos que por ele estão responsáveis.
Eu sou completamente a favor da eutanásia, e creio que existem atos muito mais criminosos do que tirar a vida de alguém que já nem mesmo a possui, e que por puro falso moralismo ou por falta de coragem nós ignoramos completamente. A intenção principal desse post não é a disseminação de minha opinião, mas sim uma tentativa de abrir os olhos das pessoas para coisas que muitas vezes deixamos passar por não conseguirmos enxergar nas entrelinhas das coisas que nos são transmitidas. Devemos abrir por completo a nossa mente todas as vezes que nos dispormos a entrar em contato com diferentes pontos de vista e opiniões, porque por mais banais ou imaturos que possam nos parecer, sempre existirá a possibilidade de haverem algumas informações implícitas que podem nos passar em branco, e essas coisas que deixamos passar podem ser talvez o ponto chave para a compreensão de muitas questões que fogem do nosso entendimento ou que nos são desconhecidas, e que podem contribuir e muito para nossa evolução intelectual e cultural.
Nenhum comentário:
Postar um comentário