terça-feira, 26 de outubro de 2010

encontros e desencontros.

Postado por Natália Lima.

aquele fora um dia bem típico no trabalho. e-mails de clientes problemáticos, indecisos, pequenos desafios, soluções, um pouco de dor de cabeça. mas nada que a incomodasse. no fim do expediente, decidiu que queria tomar um cappuccino, para relaxar. era viciada em café. a bebida amarga e forte era a única coisa que a fazia se sentir realmente ativa em dias tão normais e um pouco estressantes. era como a cocaína para um viciado que precisava se sentir vivo.

fim do expediente, começa a chover. ela pouco liga. não se importa com chuva mesmo, pelo contrário, costuma adorar tempo frio e chuvoso. acendeu um cigarro, como de costume, e desceu as escadas. a fumaça do cigarro entrava pelas suas narinas de forma intensa, e ela tragava aquele gerador de fumaça cancerígena como se fosse o último da sua vida, com o maior prazer. a felicidade discreta no rosto demonstrava sua empolgação, já que era sexta-feira e seu último dia de trabalho da semana. no corredor da empresa, o relógio de ponto. registrou seu horário de saída e aguardou alguns instantes enquanto a chuva se tornava mais fraca, e logo saiu. eram 18 horas.

sem guarda-chuva, foi andando pela calçada, rumo ao seu café predileto. sua única proteção para que não se molhasse tanto, era seu blazer risca de giz. usava uma camiseta dos Sex Pistols, blazer, calça jeans justa e botas. ergueu um pouco o blazer e tapou a cabeça, na intenção de não molhar seu cabelo liso e solto.

chegando ao café, comprou uma edição da Rolling Stone e começou a ler. pediu seu cappuccino, com chantilly e raspas de chocolate. acendeu mais um cigarro. lá estava um rapaz, de frente, sentado numa mesa coberta por uma espécie de guarda-sol gigante. ela não sabia quem ele era, nem ele sabia quem era ela. ele começou a observá-la, olhando em seu rosto.

ela não gostava quando alguém a encarava. geralmente se sentia incomodada, muitas vezes indagando perguntas grosseiras do tipo "perdeu alguma coisa em mim?", e deixando as pessoas sem reação. e assim fez. virou-se em direção ao rapaz, indagando:

- e aí querido, algum problema? te conheço de algum lugar e não sei?
e ele respondeu:
- não sei se você me conhece, mas eu sempre a vejo por aí.
- sério? e onde já me viu?
- sempre sozinha, andando pelo centro da cidade.
- hm, sempre ando por ali em meus horários de almoço.
- claro, por isso não é difícil alguém te ver. você tem um jeito peculiar, um tanto autêntico.

e ela foi cedendo, e vendo que o rapaz não era de tudo um malandro qualquer interessado em incomodá-la.

- ah, obrigada! - e sorriu de forma tímida. ela sempre ficava sem graça com elogios.
- você trabalha com quê? pelo seu jeito, suponho que seja em alguma área de artes.
- sim é, sou designer.
- sério? que interessante! também sou designer, trabalho com moda.
- bacana, moda era um sonho antigo meu. desisti quando entendi o mercado de trabalho. não se ganha tanto dinheiro sem ter contatos, infelizmente.
- é verdade...e não deixa de ser um mundo fútil.

ela foi se interessando pela conversa, e logo os dois estavam sentados na mesma mesa. o rapaz era o típico inglesinho, de chapéu estilo Pete Doherty, calça justa, botas, camiseta em tom preto desbotado e jaqueta de couro. obviamente, "o número dela". ou seja, seu estereótipo perfeitinho de homem. assim a conversa fluiu de forma incrível e ambos descobriram vários gostos em comum. então ela continuou a conversa:

- o que te traz aqui nessa tarde chuvosa de sexta-feira?
- ah, eu gosto de café. café com torta de chocolate. é um prazer muito grande poder saborear isso.
- jura? também adoro café. você mora onde?
- aqui perto, mesmo. e trabalho aqui perto também, tenho uma confecção.
- e mora sozinho?
- sim, moro. mas meus amigos sempre me visitam.
- hm, interessante!

ousada, ela diz: - qualquer dia vou lá te visitar, posso?
- claro que pode! será muito bem-vinda.

ela sorri. ele traça o olhar desde sua boca até seus olhos, a olha profundamente e também sorri. aquele sorriso a hipnotiza de forma viciante. e os olhos azuis dele a desconsertam. pode-se dizer que ela estava completamente encantada. e com o convite de visita ela se sentiu ainda mais à vontade com ele.

- e se eu te convidasse para ir até a minha casa, você toparia?
- por que não?
- agora?
- quem sabe?! - ele abre novamente seu sorriso brilhante. e novamente responde:
- depende do que nós formos fazer.
ela se sente num jogo de xadrez e, querendo dar o xeque-mate, diz:
- nós podemos fazer o que você quiser.
ele sorri novamente, e seu celular toca. ele pede um instante e atende.

- alô? oi amor! estou ótimo e você? ah, hoje foi um dia um pouco estressante no trabalho, estou aqui no café, tomando um cappuccino e comendo uma torta de chocolate. não gostaria de dar um pulo aqui e me acompanhar? estou com uma moça super autêntica e legal, você poderia conhecê-la! (...) ok amor, estou te aguardando.

ele a olha novamente e diz:
- então, meu namorado está vindo aí. se chama Henrique, você vai adorar conhecê-lo! tenho certeza de que vocês vão se dar bem. espere um pouco, ele está quase chegando!

com um aperto gigante no peito e uma sensação de "como fui idiota", ela percebe a situação e tenta ser simpática, sorrindo e dizendo:

- certo! eu fico até as 19:30, a gente aguarda e assim poderei conhecê-lo, será um prazer.

no fundo aquilo não seria um prazer. seria uma sensação enorme de "céus, que desperdício!" da qual qualquer mulher pensaria o mesmo. mas...não foi dessa vez. quem sabe no próximo café, ou encostado em algum muro, o amor a encontre.

2 comentários:

  1. Manoooooolo, no começo pareceu com um conto/sonho meu que escrevi uma vez no Unnecessary Feelings. Postarei aqui depois pra tu ver. Adorei todo o desfazer da história, desde a compra da Rolling Stones, o carinha Pete Dohertey, até o vício de café. Bem "hoje em dia mesmo." E no final me espoquei de rir, quantas vezes já não passei pela a mesma coisa, ôôôô céééééus, rs.

    Bixinha rocker <3.

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  2. OO-KAY,,fics???

    o que dizer além do fato de já ter gasto horas e horas de minha vida acompanhando

    enfim,,ahazou,,como sempre

    xoxo

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