
Postado por: Luana Melo.
Não sei se é um bom título mas como já havia dito no post anterior, tenho preguiça para eles e quando não tenho alguma idéia coloco apenas o horário. Pois bem, hoje tive aula pela manhã e logo depois do almoço fui para o colégio procurar um refúgio contra alguns pensamentos que por agora, eu tenha que deixar de lado, mesmo não querendo e tentei focar em matemática e química. Obviamente, como esperado, não consegui, e levei como desculpa um livro que estou lendo pela segunda vez (eu sempre faço isso, sempre leio algum livro duas ou três vezes, li e reli A Insustentável Leveza do Ser não sei quantas vezes) que é chamado Aprender a Viver Bem - filosofia para os novos tempos - do filósofo ex-ministro da educação da França Luc Ferry.
Logo no começo, assim que peguei ele entre os livros de filosofia de minha mãe, pensei em algo auto-ajuda. Eu já devo ter comentado em algum outro blog meu o quanto abomino qualquer tipo de auto-ajuda, principalmente nos livros. Mas ultimamente essa minha idéia radicalista tem mudado, pois há sim maneiras em procurar uma auto-ajuda, uma melhor maneira de se viver em livros. Digo isso porque acreditei eu por um bom tempo, que auto-ajuda seria algo para pessoas fracas. Mas o que leva uma pessoa a ser fraca ou não? Como posso juga-la e condena-la a tal rótulo? No final todos precisamos de uma auto-ajuda, mesmo que, ela estando no livro contradiza totalmente o prefixo auto que nada mais é uma ajuda vinda de si.
Mas diferentemente do que pensei, é um livro incrivelmente esclarecedor para todos aqueles que assim como eu no começo, tenha uma sede enorme em apronfudar-se em filosofia mas de uma maneira que não abdicasse o mais mágico que ela tem: a riqueza e a sua profundidade. Luc passa uma idéia bastante explícita e fácil do que seria a filosofia, e explica por capitulos, dando exemplos, pois ficaria tudo muito abstrato através de fragmentos. Começando literalmente pelo começo, a filosofia que floresce na antiguidade até a minha querida filosofia contemporânea.
Na primeira parte do livro, logo depois da sua explicação sobre a sua iniciativa em escreve-lo e na sua vontade em deixar de forma mais clara e simples o estudo do que seria a filosofia, ele comenta sobre um dos meus maiores e mais problemáticos temas: a questão de religião. Diversas vezes deixei de comentar a minha opinião sobre em discussões escolares, pois sempre vivi em cidades conservadoras, com uma moral cristã absurda, enfim....
Pois bem, "a finitude humana e a questão da salvação". A salvação remete uma idéia completa de paz, o fato de se salvar de uma grande desgraça ou afins. As instituições religiosas usam essa expressão como seu maior e mais completo argumento. Todas elas tentarão se esforçar ao máximo a nos prometer a vida eterna, e garantir que reencontraremos um dia aqueles que amamos - amigos, filhos, pais - aqueles que a vida terrestre irá nos separar.
Qual é o nosso maior medo? O que desejamos acima de tudo? Desejamos sempre estar rodeados de pessoas e nunca estarmos sós. Temos medo da morte. Mas não a morte "fim da vida terrestre". Temos medo da morte das coisas. A morte de um relacionamento, a morte de um acontecimento, a morte de um desejo e sonho. Esse medo constante da morte, do futuro mesclado com traços do passado, nos fazem a viver em um paralelo entre o próprio futuro e o próprio passado. Ou seja, deixamos que o passado nos prenda a um mundo diferente do presente nos impossibilitando ao futuro.Isso explicaria talvez o grande mal do século. A constante busca em toda essa materialização que aparentemente nos demonstra mais fortes e menos sozinhos. Para talvez vivermos bem, livremente, com alegria e com uma saúde mental, antes de tudo, seria necessário vencer todo esse medo.
Tudo isso me fez lembrar um pouco, mesmo que não tenha relação alguma, com a tal moral racionalista tão descrita por Nietzsche. Substituindo a questão da ideologia de morte, e colocando a questão da moral racional, vemos que ela também nos prende, nos maltrata e nos condena. Acredito na filosofia como uma cura para todos esses pensamentos, você é induzido a por um ponto final em um padrão só e passa a enxergar com outros olhos, não de forma alienada, como e o quê fazer diante de cada situação. Há um trecho bem interessante no livro, no qual ele cita um poema intitulado "Sobre a Natureza das Coisas" de Lucrécio, discipulo de Epicuro:
"É preciso, antes de tudo, expulsar e destruir ese medo do Aqueronte [o rio dos infernos] que, penetrando até o fundo de nosso ser, envenena a vida humana, colore todas as coisas do negror da morte e não deixa subsistir nenhum prazer límpido e puro"
Esse trecho me faz lembrar o conceito nietzscheano sobre a moral racionalista:
A moral racionalista transformou tudo aquilo o que é natural nos seres humanos em vícios, culpas e deveres, massacrando de vez, tudo aquilo que consiste a natureza humana.
É bem interessante ler esses fragmentos. Mas uma grande diferença entre a quase analogia que fiz entre os dois trechos, é de que a moral racionalista, apesar de toda a sua alienação e pressão, é o que nos mantém numa ordem. Numa ética. Numa moral. Ética, moral? Essas duas palavras são sinônimas ou divergem-se? Achei um ponto muito itneressante no livro sobre a questão dessas suas palavras, mas isso deixarei para quem se interessar e não aprofundarei. Voltando a tal moral de Nietzsche: eu poderia muito bem justificar qualquer ato insano ou anti-ético através deste conceito. Eu poderia matar e roubar justificando que eu precisaria daquele dinheiro para comer ou para qualquer outra coisa, e precisei matar tal pessoa para que ela não me denunciasse e não me condenasse. E assim, essa moral, torna-se uma forma de opressão, mas uma forma também de organização.
Confesso que esse livro sempre fora para mim como um tapa na cara. Acredito que não só a mim, a qualquer pessoa que enxergue e tenha a certeza de que é sim esse eterno medo da morte constante das coisas que nos impede a viver bem. Ele aprofundou bastante a questão da divergência entre filosofia e religião nessa questão da vida maravilhosa, mas eu não quero aprofundar-me em palavras ainda. Como dito logo no começo, pouco comento sobre tal assunto. Quando o assunto é religião, prefiro aquela velha expressão "não sei o que dizer". Ainda estou em um processo de aprendizagem e de criação de meus próprios conceitos, assim como você ou outra pessoa pode estar.
Pois bem. Acho que por hoje chega. Preciso organizar-me mais. Acho que deu para perceber isso no texto, confesso que as idéias ficaram bagunçadas. Mas ultimamente minha cabeça anda um turbilhão de coisas...
Hejdå!
Na realidade o ser humano, na minha opinião tem medo de ser "humano", na sua complexidade e subjetividade... na realidade como somos sujeitos inacabados, mudamos, renovamos, transformamos, enfim nos contradizemos... nesse texto vc expressou de forma clara essa "bagunça" que somos em nossa essência... Viva a insanidade, viva a angústia, viva a dor, viva a frustração, viva a morte porque é só assim que nós realmente nos tornamos vivos e intensos, somos humanos... beijo grande
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