sábado, 16 de outubro de 2010

O mundo de plástico e a síndrome da Barbie

Por Caroline Morais Rosemburg.




Nas últimas décadas a mulher começou a preocupar-se em demasia com o seu visual a fim de alcançar um estereótipo de perfeição contemporâneo. Com isso, houve uma imensa alargação das áreas inerentes a esta busca incessante e hoje existem uma infinidade de opções especializadas às quais as mulheres podem recorrer para alcançar a sua auto-aprovação e satisfazer o seu ego. A medida que as opções crescem, as exigências sobre a imagem feminina também cresce, e cada dia torna-se mais inalcançável e mais cruel, obrigando as mulheres a se submeterem a verdadeiras sessões pagas de tortura para serem aceitas, ou no mínimo, admiradas. Essa discussão, por mais clichê que possa parecer, sempre me causa um furdunço cerebral incontrolável, que gira em torno desse poder que a sociedade tem de destruir a vida e a sanidade das pessoas.

Desde criança eu sempre tive essa ideologia fixa de contrariar os "mandamentos" e imposições sociais, justamente por ter a consciência de quão absurdas essas imposições tendem a ser, mas mesmo assim a pressão exercida pela massa é tão intensa que acabei me rendendo a mesma. Por dois anos tive problemas com distúrbios alimentares, e até hoje não nego a necessidade de lutar contra eles todas as vezes que ao olhar ao meu redor vejo que os homens idolatram mulheres com corpos completamente contrários ao meu, de magreza e curvas invejáveis, ao mesmo tempo que desprezam e humilham àquelas que não os possuem, assim como já fui humilhada e desprezada incontáveis vezes devido a meus insistentes kg a mais. O fato é que por mais que o desejo de ignorar a sociedade possa fazer parte de nós, fugir dela é algo puramente utópico, portando se adequar à ela não é mais um simples ato de fraqueza, e sim uma injusta tática de sobrevivência, visto que se você não se enquadra nesses padrões você se torna dispensável para os 99,9% de hipócritas que nela habitam, e infelizmente os 00,1% restantes podem não ser seus futuros patrões, maridos e amigos.

2 comentários:

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  2. às vezes tenho vontade de te mandar ir a merda com essas viadagens de distúrbio alimentar. Mas sei que não posso em momento algum, não saberia nunca qual é o sentimento e o que isso lhe proporcionou.
    Pois bem. Eu tenho um orgulho imensurável em saber que te tenho ao lado com um pensamento tão incrível assim. Sei que é complicado, toda essa moral, toda esse padrão nos culpa, nos vicia e nos mantém lá embaixo quando não nos enquadramos nas mesmas. Mas isso não quer dizer em momento algum que isso seja o melhor ou o pior. Quem somos nós, quem somos nós para dizer o que deve ser belo, horrendo, escroto ou maravilhoso? O que eu posso garantir com todas as palavras, é que a diferença é o que é belo.

    Sinceramente, se tivessemos todos no mesmo padrão imposto pela sociedade, seria uma coisa sem graça do caralho. Eu adoro ter as minhas diferenças e sei que tu também adora. Mesmo que às vezes acabe se submetendo a tudo isso... Sei que ainda há um orgulhinho seu aí dentro em ser o que é. Assim como eu.

    Te adoro, meu anjo. E você é linda, porra.

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